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Dólar Abre a R$ 5,00 e Sobe com Inflação Acima do Esperado
Resumo:O dólar comercial iniciou esta terça-feira, 28 de abril de 2026, cotado a R$ 5,006 na venda, após ter fechado a segunda-feira em R$ 4,98. O movimento de alta reflete a combinação de fatores domésticos e externos. No front interno, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15), a prévia da inflação oficial, subiu 0,89% em abril, acima das expectativas do mercado, que projetavam alta de 1,0% mensal. A inflação anual acumulada atingiu 4,37%, aproximando-se do teto da meta de 4,5%. No cenário externo, o impasse nas negociações de paz entre EUA e Irã continua, e os preços do petróleo voltaram a subir, pressionando a moeda americana para cima. Os investidores também aguardam as decisões de política monetária do Federal Reserve (Fed) e do Banco Central do Brasil (BC) amanhã, na "Super Quarta". A cotação do dólar reflete a sensibilidade do câmbio brasileiro à inflação, à geopolítica e ao diferencial de juros.

A Cotação Hoje: Dólar Comercial e o Impacto do IPCA-15
Nesta terça-feira, 28 de abril, o dólar comercial abriu o dia em alta, sendo negociado a R$ 5,006 e alta de 0,47%. O dólar futuro para maio, o mais líquido no mercado brasileiro, operava em leve queda de 0,19% na B3, a R$ 4,9860. O movimento de alta do dólar é uma reação direta aos dados de inflação.
O IPCA-15 de abril veio em linha com as expectativas, mas o acumulado em 12 meses de 4,37% acendeu um sinal de alerta. A meta de inflação para 2026 é de 3,0%, com um teto de 4,5%. Com o IPCA-15 anualizado já em 4,37%, o espaço para cortes de juros pelo Banco Central (BC) diminui. O mercado passou a precificar uma Selic mais alta por mais tempo, o que, paradoxalmente, tende a atrair capital estrangeiro (carry trade) e poderia fortalecer o real. No entanto, a reação imediata foi de alta do dólar, refletindo a percepção de que o Brasil pode ter que manter juros elevados em um momento de desaceleração econômica.
Além disso, a inflação mais alta reduz o poder de compra do real e aumenta a incerteza sobre a trajetória da política monetária. O BC tem como mandato perseguir a meta de inflação, e os dados mais recentes indicam que a tarefa será mais desafiadora.
O Impasse no Oriente Médio e a Alta do Petróleo
O segundo fator que pressiona o dólar para cima é o impasse nas negociações de paz entre EUA e Irã. No domingo, o presidente dos EUA, Donald Trump, discutiu uma nova proposta iraniana para resolver a guerra com seus principais assessores de segurança nacional. No entanto, um funcionário americano afirmou posteriormente que Trump está “insatisfeito com a proposta” porque ela “não aborda o programa nuclear iraniano”. O Irã, por sua vez, propôs encerrar o bloqueio do Estreito de Ormuz e reabrir portos em troca de retirar seu programa nuclear das negociações, uma proposta vista como improvável por Trump.
A falta de avanço nas negociações mantém o prêmio de risco no preço do petróleo. O barril do Brent voltou a subir, e a perspectiva de uma interrupção prolongada no fornecimento de energia alimenta as expectativas de inflação globalmente. Como o Brasil é um grande produtor de petróleo, a alta da commodity poderia, em tese, beneficiar o real. No entanto, o movimento predominante é o de aversão ao risco (risk-off): investidores globais correm para o dólar como ativo de refúgio (safe haven), pressionando o real e outras moedas emergentes para baixo.
A Super Quarta: Decisões do Fed e do Copom no Radar
Os mercados também estão de olho na “Super Quarta”, quando o Federal Reserve (Fed) e o Banco Central do Brasil (Copom) anunciarão suas decisões de política monetária.
Nos EUA: Espera-se que o Fed mantenha os juros inalterados na faixa de 3,50% a 3,75%. Esta será provavelmente a última reunião do presidente Jerome Powell, que será substituído por Kevin Warsh em maio. O mercado está mais atento ao tom do comunicado. Se o Fed sinalizar uma postura mais dovish (propensa a cortar juros) devido aos primeiros sinais de desaceleração da economia, o dólar pode enfraquecer. Se adotar um tom hawkish (preocupado com a inflação), o dólar pode se fortalecer.
No Brasil: O Copom também deve manter a Selic em 15% ao ano. A ata da reunião anterior já indicou que o BC está preocupado com a inflação e que o ritmo de cortes será “gradual e dependente dos dados”. Com o IPCA-15 acima do esperado, as apostas em um corte de juros em junho diminuíram. O Copom pode sinalizar que manterá a Selic em 15% por mais tempo, o que, em tese, seria positivo para o real (juros altos atraem capital), mas também pode ser interpretado como um sinal de que a economia brasileira está sobrecarregada.
Boletim Focus e as Projeções para o Dólar em 2026
Apesar da queda recente do dólar para abaixo de R$ 5,50. Esta projeção, no entanto, é contestada por especialistas como o professor Mauricio Weiss, da UFRGS, que acredita que a “tendência seria para uma manutenção ou apreciação do real frente ao dólar”.
Dois fatores importantes devem trazer maior flutuação ao câmbio em 2026. O primeiro é a troca na presidência do Fed em maio, com a nomeação de Kevin Warsh. A incerteza sobre sua política e a possível ingerência de Trump sobre o banco central podem gerar volatilidade e, em momentos de crise, uma fuga para o dólar. O segundo são as eleições brasileiras em outubro. O mercado financeiro costuma reagir a pesquisas de intenção de voto e declarações de candidatos, o que pode gerar oscilações bruscas no câmbio.
Histórico do Dólar e o Contexto Atual
O crescimento do valor do dólar em 2024 foi o maior desde 2020, o primeiro ano da pandemia de covid-19. O dólar chegou à marca dos R$ 6 pela primeira vez em novembro daquele ano. Em 2025, o câmbio brasileiro registrou bons resultados devido à elevada taxa Selic (15% em janeiro de 2026) e à queda da moeda americana frente a mercados emergentes em todo o mundo.
A queda do dólar para R$ 5,00 é um lembrete de que a moeda americana permanece sensível a choques internos (inflação) e externos (geopolítica). A volatilidade é a única certeza.
O Que Esperar do Dólar nos Próximos Dias?
A direção do dólar nos próximos dias será ditada por três fatores principais:
- A Decisão do Copom: Um tom hawkish (preocupado com a inflação) pode inicialmente fortalecer o real (juros altos), mas também pode gerar preocupações sobre o crescimento.
- A Decisão do Fed: Um tom dovish (propenso a cortar juros) enfraqueceria o dólar globalmente, pressionando o USD/BRL para baixo. Um tom hawkish teria o efeito oposto.
- A Geopolítica: Qualquer avanço (ou recuo) nas negociações de paz entre EUA e Irã moverá o preço do petróleo e o sentimento de risco.
Conclusão: Dólar em Busca de Direção com Inflação e Geopolítica no Centro
A cotação do dólar a R$ 5,00 nesta terça-feira, 28 de abril de 2026, é o retrato de um mercado em modo de espera. A inflação acima do esperado e o impasse no Oriente Médio pressionaram a moeda para cima, mas as decisões dos bancos centrais amanhã podem reverter ou acentuar o movimento.
Para o investidor e o cidadão comum, as diretrizes são:
- Acompanhe a Decisão do Copom: O tom do comunicado e a sinalização sobre os próximos passos serão cruciais.
- Acompanhe a Decisão do Fed: A última reunião de Powell pode trazer surpresas. O mercado estará atento a qualquer sinal de mudança na postura do banco central.
- Monitore a Geopolítica: As notícias sobre as negociações de paz entre EUA e Irã continuarão a influenciar o petróleo e o sentimento de risco.
- Para quem precisa comprar dólar (viagens, importações): O momento é de relativa estabilidade, mas a volatilidade pode aumentar. A estratégia de compras graduais (dólar-custo médio) continua a ser a mais prudente.
- Prepare-se para a Volatilidade: A “Super Quarta” pode gerar oscilações bruscas em ambos os sentidos. A gestão de risco é essencial.
O dólar subiu hoje, mas a tendência de médio prazo ainda é incerta. A inflação e a geopolítica estão no centro do tabuleiro, e os bancos centrais estão prestes a fazer seus movimentos. A paciência continua a ser a ferramenta mais valiosa.
Editor: Felipe Palmieri Marcondes
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