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Em crise de liquidez, Thopen obtém proteção contra credores na Justiça
Resumo:Decisão suspende cobranças e bloqueios por 60 dias enquanto empresa prepara pedido de recuperação judicial após alegar dificuldades financeiras
Decisão suspende cobranças e bloqueios por 60 dias enquanto empresa prepara pedido de recuperação judicial após alegar dificuldades financeiras
A Justiça do Rio de Janeiro determinou a suspensão,por 60 dias, das ações de cobrança e dos processos de execução movidos contra a Thopene outras empresas do grupo. A medida foi concedida antes da análise definitiva do pedido de recuperação judiciale busca preservar as operações enquanto a companhia tenta negociar uma solução com seus credores.
A informação foi antecipada pelo Brazil Journal e confirmada pela CNN.A decisão foi proferida pelo juiz Victor Agustin Cunha Jaccoud Diz Torres, da 6ª Vara Empresarial da Comarca da Capital. O processo envolve 54 empresasdo grupo que alegam enfrentar uma crise de liquidez capaz de comprometer a continuidade das atividades.
Controlada pela gestora de investimentos Denham Capital, a Thopen foi lançada pela Pontal Energy em março de 2025, após a aquisição da RZK Energia por cerca de R$ 1 bilhão. A companhia atua no mercado livre de energia, em geração distribuída, eficiência energética e gestão de energia, além de possuir ativos de geração renovável, principalmente usinas solares e projetos de biogás.
A Thopen chegou recentemente ao mercado com perfil arrojado. Em 2025, a empresa anunciou a aquisição do portfólio de 52 usinas solares em geração distribuída da Vip Air por R$ 750 milhões. No mesmo ano, ela comprou outras usinas da Matriz e da Raízen.
Segundo a cautelar, a deterioração financeira decorreu de uma combinação de fatores. Entre eles estão atrasos na entrada em operação de projetos de geração, desempenho abaixo da capacidade prevista, aumento dos custos de financiamento, impacto da alta do dólar sobre equipamentos importados e inadimplência de clientes.
Ao conceder a medida, o juiz proibiu temporariamente penhoras, bloqueios, arrestos e outras formas de constrição sobre os bens das empresas. Também suspendeu os efeitos de cláusulas que autorizam o vencimento antecipado de dívidas ou a rescisão unilateral de contratos em razão do pedido de recuperação judicial.
Na prática, a decisão impede que credores tentem receber individualmente seus créditos durante o prazo concedido. O objetivo é criar um período de estabilidade para que a companhia possa negociar coletivamente suas obrigações e preparar o pedido completo de recuperação.
O magistrado ressaltou que a suspensão das cobranças não representa a aprovação definitiva da recuperação judicial. A Thopen terá 30 dias para apresentar os documentos exigidos pela Lei de Recuperação Judicial, incluindo informações financeiras, relação de credores e demonstrações sobre a viabilidade econômica do grupo. Caso a documentação não seja entregue, a proteção poderá perder a validade.
A Justiça também rejeitou o pedido para que fossem devolvidos valores eventualmente já bloqueados, compensados ou transferidos aos credores antes da decisão. Esses recursos permanecerão com seus atuais titulares até nova deliberação judicial.
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